Pandemia pode levar 265 milhões à fome
- fireflybrasil
- 25 de abr. de 2020
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Atualizado: 23 de jul. de 2020
Dados divulgados pela FAO nesta segunda-feira revelam que a fome voltou a aumentar no Brasil. De acordo com a entidade, 37,5 milhões de pessoas viviam uma situação de insegurança alimentar moderada no país no período entre 2014 e 2016. Entre 2017-2019, porém, esse número chegou a 43,1 milhões. Em termos percentuais, o número também subiu, de 18,3% para 20,6%.
Os dados fazem parte do informe "O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo", o estudo global mais completo que acompanha o progresso no sentido de acabar com a fome e a desnutrição. Ele é produzido conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para a Agricultura (IFAD), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentação (PMA) da ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao longo dos últimos 20 anos, a FAO destacou o avanço do combate à fome no Brasil. Hoje, a taxa de pessoas consideradas como sub-nutridas é de menos de 2,5% da população. Em 2006, essa taxa era de 4,1%.
A insegurança alimentar severa também caiu, passando de 3,9 milhões de pessoas entre 2014-2016 para 3,4 milhões entre 2017 e 2019. Em termos percentuais, isso representa um queda de 1,9% da população do país para 1,6%.
Mas é na camada da população com um pouco mais de recursos que a insegurança alimentar voltou a fazer parte da realidade. 2 bilhões o número de pessoas no mundo vivem num estado de insegurança alimentar, o que representa a incapacidade de ter acesso a alimentos seguros, nutritivos e suficientes o ano todo.
Além dos dados sobre a insegurança alimentar, a entidade aponta que 14,5% da população brasileira ainda não tem acesso a uma dieta saudável. A anemia entre mulheres também aumentou, passando de 25,3% para 27,2% entre o período avaliado.
Um outro sinal é obesidade, também resultado de uma alimentação não saudável. Nesse caso, a taxa passou de 20.1% entre 2014-2016 para 22,1% entre 2017 e 2019.
60 milhões extras de famintos no mundo O informe da FAO ainda revela que a fome no mundo aumentou. De acordo com as entidades, dezenas de milhões juntaram-se às fileiras das pessoas subnutridas nos últimos cinco anos.
A estimativa é de que quase 690 milhões de pessoas passaram fome em 2019 - um aumento de 10 milhões em relação a 2018, e de quase 60 milhões em cinco anos. "Os altos custos e a baixa acessibilidade econômica também significam que bilhões de pessoas não podem comer de forma saudável ou nutritiva", aponta.
Os problemas, porém, tendem a se agravar. "Em todo o planeta, o relatório prevê que a pandemia da COVID-19 poderá levar mais de 130 milhões de pessoas a passar fome crônica até o final de 2020.
"Cinco anos depois que o mundo se comprometeu a acabar com a fome, a insegurança alimentar e todas as formas de desnutrição, ainda estamos fora do caminho para atingir este objetivo até 2030", alertam as instituições.
A Ásia continua sendo o local do maior número de subnutridos, com 381 milhões pessoas. A África está em segundo lugar, com 250 milhões. A América Latina e Caribe vem na terceira posição, com 48 milhões de subnutridos.
Em termos percentuais, a prevalência global de subnutrição pouco mudou, com 8,9%. Mas os números absolutos têm aumentado desde 2014. "Isto significa que, nos últimos cinco anos, a fome tem crescido em sintonia com a população mundial", explica.
Os números ainda escondem grandes disparidades regionais: em termos percentuais, a África é a região mais duramente atingida, com 19,1% de sua população subnutrida. Isto é mais que o dobro da taxa na Ásia (8,3%) e na América Latina e no Caribe (7,4%).
"É na África que o número está aumentando mais rapidamente. A prevalência da fome no continente também é o dobro da média global e, com base nas tendências atuais, a região tem poucas chances de chegar a Fome Zero até 2030", alerta.
Por Jamil Chade, Colunista UOL - 13/07/2020
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